Faculdade de Saúde Ibituruna - FASI
Faculdade de Farmácia
Cortes a mão livre e substâncias ergásticas
Relatório apresentado a FASI,
curso de Farmácia, 2º período,
como forma de avaliação parcial
das aulas práticas na disciplina
de Farmacobotânica.
Prof. Dr. Guilherme Araújo Lacerda
1. Introdução
Em Farmacobotânica, os cortes à mão livre, são de grande auxílio na confecção de lâminas. Com o uso de apetrechos obtemos um estudo mais aprofundado do material colhido juntamente com a observação da lâmina no microscópio óptico.
Os elementos possuem dimensões diferentes, portanto para a visualização de desejadas estruturas, o tipo e local de corte são modificados, como por exemplo, para a observação dos estômatos, devemos fazer o corte da parte abaxial da planta, caso isso ocorra de maneira diferente, muda-se totalmente a estrutura observada.
Para visualizarmos as estruturas anatômicas, devermos fazer e manipular os cortes com cuidado, observando sempre o plano de corte, podendo ser:
- Transversal: Perpendicular ao maior eixo do órgão.
- Longitudinal: Paralelo ao maior eixo do órgão. Quando o órgão cilíndrico, o corte longitudinal pode ser tangencial, tangente ao raio cilindro, ou radial, passando pelo diâmetro ou raio.
- Paradérmico: Paralelo à superfície do órgão. Utilizado principalmente em estudos dos tecidos de revestimento (Costa, 2006).

Figura 1: Tipos de cortes.
2. Objetivo
Preparar o material vegetal de acordo com as técnicas de cortes a mão livre, montagem e coloração/descoloração histológica vegetal para microscopia óptica.]
3. Material e Métodos
No dia 18 de Março de 2013 utilizamos para a confecção das lâminas os seguintes materiais:
- 1 Lâmina de barbear (gilete)
- 8 Lâminas de microscopia (limpas e secas)
- 4 Lamínulas de microscopia (limpas e secas)
- 3 ml corante Lugol
- 5 ml de hipocloreto de sódio 2%
- 10 ml de água destilada (pisseta)
- 1 Microscópio óptico
- 1 Batata-inglesa
- 1 Caule de Coroa-de-Cristo
- 1 Folha de Purpurina

Figura 2: Materiais a serem utilizados (Foto: Bianca Ferreira do Rosário).

Figura 3: Coroa-de-Cristo e Purpurina utilizadas para confecção das lâminas (Foto: Bianca Ferreira do Rosário).
Primeiramente houve a amostragem das etapas de confecção das lâminas, em seguida, desempenhamos as técnicas apresentadas. Deu-se então o início das montagens, sendo:
- Lâmina da batata-inglesa (Solanum Tuberosum): houve o corte do caule com a ajuda da gilete para a extração da seiva, onde colocou-se sobre a lâmina juntamente com uma gotícula do corante Lugol, sobrepondo-se a lamínula. Após a finalização, observamos o amido.

- Lâmina da Coroa-de-Cristo (Euphorbia milii): manualmente cortou-se a folha para extração da seiva sobre a lâmina, acrescentando-se o corante Lugol com a sobreposição da lamínula;.

- Lâmina da seiva de Purpurina (Psichopattius mallukius): utilizando-se as mesmas técnicas da segunda lâmina;
- Lâmina do corte da Purpurina: iniciou-se com o envolvimento da folha do lado abaxial ao dedo indicador para o corte paradérmico. A película superficial extraída da folha foi imersa na água destilada e após, com o auxílio do pincel número 0, ocorreu à abertura da amostragem sobre a lâmina para sua finalização com a lamínula. Observou-se com essa confecção a presença do floema e xilema de maneira colorida dispensando o uso do corante Lugol.

4. Resultados e Discussão
Diante dos materiais confeccionados cada um com sua particularidade recebeu um tipo de corte específico para a extração da seiva. Sendo assim, os resultados foram satisfatórios, dessa forma, com a presença do corante Lugol (iodo) conseguimos visualizar o amido.
O amido por não apresentar efeito osmótico nos vegetais, funciona como uma forma perfeita de reserva de açucares, por isso ao ser transportado, não sofre nenhuma reação metabólica, evitando assim um gasto desnecessário para a planta, a reserva de açucares nas células vegetais em forma de amido, poderia, então ser caracterizado como caráter altamente vantajoso, no ponto de vista evolutivo dos vegetais.
5. Conclusão
A extração da seiva quanto o corte do caule ou das plantas devem ser de forma precisa para o alcance da observação dos elementos, caso o corte a mão livre seja feito de maneira incorreta, ocorre à distorção das imagens focalizadas, exigindo-se assim, uma maior atenção às técnicas expostas. Na confecção das lâminas utilizou-se o corante, porém a sua ausência demonstrou a possibilidade da identificação dos mesmos elementos de maneira nítida.
6. Referências Bibliográficas
COSTA, A. Apostila de aulas práticas: anatomia vegetal. UDESC – Planalto Norte, Centro de Tecnologia Moveleira, Laboratório de Botânica. São Bento do Sul, 2006.