Faculdade de Saúde Ibituruna - FASI
Faculdade de Farmácia
Anatomia Foliar
Relatório apresentado a FASI, curso de Farmácia,
2º período, como forma de avaliação parcial das
aulas práticas na disciplina de Farmacobotânica.
Prof. Dr. Guilherme Araújo Lacerda
1. Introdução
A folha, aparentemente uma estrutura simples, uma vez que se desprende dos galhos até com certa facilidade, têm um papel fisiológico importantíssimo para as plantas. Temos que destacar que nem todas as plantas apresentam folhas, como as briófitas que possuem filoides ou mesmo alguns cactos que são cladódios, sendo que a fotossíntese ocorre através de seus caules e têm suas folhas transformadas em espinhos.
A folha tem a função de produzir, através de suas células clorofiladas, alimento para a planta. Em relação a sua anatomia apresenta grandes variações de acordo com a necessidade adaptativa apresentada pela planta, mas comumente temos sua morfologia descrita assim:
. Limbo – seria a própria folha, uma expansão também conhecida como lâmina foliar.
. Pedúnculo – estrutura pela qual o limbo se prende ao caule.
Desta forma, podemos encontrar folhas completas, com pecíolo e folhas sésseis (incompletas) sem a presença do pecíolo, partindo o limbo diretamente do caule. Outras partes que podem ser visualizadas são a bainha (que é uma porção mais alargada na base de inserção no caule) e as estípulas (projeções que ocorrem na base do pecíolo). Na imagem abaixo ficam evidentes algumas das estruturas comentadas:

Brasilescola.com/botanica
A folha, como um órgão vegetal, é composto por diferentes tipos de células que determinam a formação dos diversos tipos de tecidos. Dessa maneira, externamente revestindo a folha temos a presença da epiderme foliar; internamente, o mesófilo, onde está presente o colênquima, que são células ricas em clorofila. Junto ao mesênquima, no centro da estrutura da folha, existem inúmeros feixes de condução de seiva e tecidos de sustentação. Na parte posterior ou embaixo da folha encontramos evidentes as nervuras, estruturas formadas por tecidos condutores que se encontram agrupados, podendo estar associados a tecidos de sustentação. Essas nervuras basicamente são prolongamentos originados dos feixes do caule tendo em sua parte superior a condução da seiva bruta (xilema); e na parte inferior, a condução da seiva elaborada (floema).
2. Objetivo
Reconhecer os diferentes tipos de estruturas foliares nos espécimes vegetais da coleção do laminário botânico da instituição.
3. Materiais e Métodos
01 Microscópios ópticos;
05 Lâminas de cada caixa do laminário de botânica nºs 29B; 39B; 43B; 12B; 32B; 38B e 46B.
01 Microscópio trinocular acoplado a TV.
1) Acompanhar a leitura das lâminas através do roteiro de aulas práticas sendo:
29B – Zea mays ( Gramineae) – folha de milho em corte paradérmico;
39B – Thea sinensis Ttheaceae) – folha de Camellia em corte transversal;
43B – Pinus SP (Pinaceae) – folha de Pinus em corte transversal;
12B – Stenotaphrum secundatum ( Gramineae) – Grama de Santo Agostinho em corte transversal;
32B – Zantedeschia aethiopica (Araceae) folha de copo de leite em corte transversal;
38B – Nerium oleander (Apocynaceae) folha de Oleandro em corte transversal;
46B – Yuca SP (Agavaceae) folha de Yucca em corte transversal.
2) Foi observado nas lâminas os itens descritos abaixo:
Na lâmina 29B foi observadas as células epidérmicas e os estômatos.

Figura 01. Lâmina 29B focalizado na objetiva de 40.Foto ( Edvânia Alves da Silva Ferreira)
Na lâmina 39B foi observado o esclerênquima

Figura 02. Lâmina 39B focalizado na objetiva de 40. Foto ( Thiago Alves Xavier dos Santos)
Na lâmina 43B foi observado os estômatos e canais resiníferos

Figura 03. Lâmina 43B focalizado na objetiva de 40. Foto (Laura Beatriz Mendes Almeida).
Na lâmina 12B foi observado os feixes vasculares por todo limbo da gramínea.

Figura 04. Lâmina 12B focalizado na objetiva de 40. Foto (Amanda Dias Martins).
Na lâmina 32B foi observado as câmaras aerênquimas ( parênquima que acumula ar) modificação do parênquima.

Figura 15. Lâmina 32B focalizada na objetiva de 40.Foto: ( Amanda Dias Martins)
Na lâmina 38B foram observadas as criptas ( grandes câmaras) estomáticas.

Figura 18. Lâmina 38B focalizada na objetiva de 40. Foto: ( Felipe Orlando Santos).
Na lâmina 46B foi observado os reforços fibrosos e a cutícula.

Figura 21. Lâmina 46B focalizada na objetiva de 40.Foto: (Amanda Dias Martins)
4. Resultados e Discussão
Na lâmina 29B, corte paradérmico de folha de milho, foram observadas as células epidérmicas ( epiderme é a primeira camada externa). Esta lâmina foi feita mediante um processo especial, em que a epiderme é destacada do vegetal, para que os estômatos sejam vistos de frente. Os estômatos ficam distribuídos de forma diferente, eles ficam ao longo da folha. As células guarda dos estômatos de gramínea são do tipo especial, em vista frontal são estreitas na região mediana e alargadas em ambas as estremidades.
O Milho (Zea mays) é também conhecido como Espiga-de-Milho, Cabelo-de-Milho, Barba-de-Milho e Estigmas-de-Milho. Entre as principais espécies estão a Zea diploperennis, Zea luxurians, Zea mays ssp. huehuetenangensis, Zea mays ssp. mays, Zea mays ssp. mexicana, Zea mays ssp. parviglumis, Zea nicaraguensis e Zea perennis. Pertence a família Poaceae.
Usos Tradicionais: artrite, cistite, edema, gota, hipertensão, icterícia, incontinência urinária, infecções urinárias, pedras no rim, prostatite, uretrite.
Propriedades Medicinais: colagogo, demulcente, diurético, galactagogo, tônico.
Na lâmina 39B corte transversal da folha de camellia foi observado um feixe protegido por uma camada de paredes espessas, que são células reforçadas de lignina ( conjunto de substâncias químicas não-identificadas, que se coram pela floroglucina clorídrica em vermelho. O conjunto desta substância forma o esclerênquima, constituído por células com protoblastos mortos ou inativos, que não reassumem atividades meristemáticas: fibras e esclerídeos.
A Camellia sinensis é uma árvore de até 15 metros de altura nativa das florestas do nordeste da Índia e sul da China. É possível produzir óleo para o consumo humano a partir das sementes desta planta. Existem variedades, como a C. sinensis var. assamica, comum na Índia, que produz as árvores mais altas e com as maiores folhas, além de um chá preto com enorme concentração de cafeína. A variedade sinensis é a mais comumente cultivada.(Fonte: Wikipedia) Camellia sinensis
Na lâmina 43B corte transversal da folha de pinus, que é bastante peculiar, não aparece o parênquima paliçádico nem o lacunoso e foi possível observar na epiderme, os estômatos em depressões profundas com reforço bem acentuado, e observou-se também os canais resiníferos (em Botânica, são um tipo de tecido secretor que se encontra nas plantas de grande porte) e possui um formato de flor.
Na lâmina 12B corte transversal de gramínea conhecida como grama de santo Agostinho, há ausência de parênquima paliçádico, e foi observado feixes vasculares por todo limbo da folha. O sistema vascular ocorre paralelamente à superfície da lâmina foliar. Os feixes vasculares são denominados nervuras, e a sua distribuição nas folhas dá-se o nome de nervação ou venação.
Esta grama Cresce através de sementes em solos argilosos e altos, e também adapta-se ao solo litorâneo. Propriedades medicinais - O uso do caule da grama-de-jardim em preparos medicinais produz efeitos emolientes, refrescantes, antitérmicos e diaforéticos.
Na lâmina 32B corte transversal de folha de copo de leite foi possível observar câmaras aerênquimas, que são uma espécie de parênquima modificado. As aerênquimas são parênquimas que acumulam ar.
O copo de leite não possui propriedades medicinais, serve como planta ornamental.
Na lâmina 38B corte transversal da folha de oleandro, que é uma espécie de planta que se adapta a ambientes com pouca água, como por exemplo no cerrado e de clima muito quente, as folhas sofrem adaptação e os estômatos tem facilitada sua abertura e fechamento, conforme a necessidade da planta. Nesta lâmina foram observadas criptas estomáticas (grandes câmaras contendo estômatos).
É uma planta tóxica, uma única folha pode causar envenenamento.
Na lâmina 46B corte transveral de yucca que é uma folha de consistãncia dura e seu parênquima possui conformação específica. Apresenta muitos feixes distribuídos irregularmente, e nestes feixes observamos reforços fibrosos em todo floema. Foi observado ainda, uma cutícula espessa nas duas epidermes. O uso de yucca schidigera extrato como alimentação ajuda a melhorar a digestão de refeições ricas em nitrogenados compostos e permite uma melhor absorção dos mesmos devido ao fato de que a atividade microbiana foi acelerado na flora intestinal, diminuindo os compostos voláteis que causam maus odores na excreções.
5. Conclusão
O objetivo proposto na prática foi alcançado com sucesso, uma vez que as diversas estruturas foliares, como as células epidérmicas, os estômatos, as câmaras aerênquimas, os feixes vasculares com xilema e floema, e ainda reforços fibrosos e cutículas, e o esclerênquima foram visualizados com riqueza de detalhes.
Os estudos histológicos desenvolvem-se sobre dois campos principais: anatômico, visando obter a completa caracterização estrutural dos tecidos e, das células que os compõem, e fisiológico, procurando compreender o modo pelo qual os tecidos desempenham a sua função.
Conclui-se que é de suma importância o estudo histológico em Farmacobotânica, pois possibilitará aos profissionais farmacêuticos, o conhecimento necessário ao exame microscópico de alimentos e medicamentos de origem vegetal.
6. Referências Bibliográficas
JORGE, Luzia Ilza Ferreira: Botânica Aplicada ao Controle de Qualidade de Alimentos
E de Medicamentos , São Paulo: Atheneu, 2000.
Manual de Microscopia Aplicada a Biologia – cedido pelo Professor Dr. Guilherme Araújo Lacerda.
OLIVEIRA, Fernando de. MARIA Lúcia Saito: Prática de Morfologia Vegetal. – São Paulo: Editora Atheneu, 2000.
pt.scribd.com/doc/105827171/Pesquisa-de-Botanica
www.cultivando.com.br/plantas_detalhes/copo-de-leite.html
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